segunda-feira, 28 de maio de 2012

O inicio da revolução (Grecia)

Com uma nova eleição marcada para 17 de junho, a Grécia terá a possibilidade não apenas de mudar sua moeda e os rumos de sua economia e integração regional. O turbilhão causado pela crise da dívida pública também poderá revolucionar seu combalido quadro político que, desde o início da Terceira República, há 38 anos, é dominado por dois partidos que se encontram em processo de fragmentação e decadência - a Nova Democracia (direita) e o Pasok (centro-esquerda).



Ao mesmo tempo em que despontam lideranças jovens como Alexis Tsipras, do Syriza, que pode colocar um partido de esquerda de fato no poder, surgem também figuras que pretendem ressuscitar doutrinas neonazistas, como a ascensão do Aurora Dourada de Nikolaos Michaloliakos.



O fato é que o país nunca teve um parlamento tão pulverizado desde que o país adotou cláusulas de barreira impedido a admissão de legendas menores. Na última eleição realizada em 6 de maio, sete partidos conseguiram representação parlamentar.
O partido mais votado na eleição legislativa grega recebe um “bônus” de 50 assentos no Parlamento, equivalente a um sexto do total de membros. Segundo pesquisas de opinião, a coligação Syriza é apontada como vencedora folgada, entre 27% e 28% de preferência. Outras a colocam com uma diferença menor em relação à ND, com um a dois pontos de vantagem. Nenhum dos quadros seria o suficiente, porém, para que ela atinja, sozinha, os 151 membros.

Pasok e Nova Democracia, os dois grandes e velhos partidos, apesar da rivalidade histórica, são os únicos que aceitam continuar a se submeter às exigências da Troika (grupo formado por Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu): medidas de rigor fiscal que incluem cortes no setor público e investimentos, congelamento de políticas de crescimento, precarização das leis trabalhistas, entre outras. Em troca, o perdão parcial da dívida e novos empréstimos para que o país não entre em insolvência. Os demais partidos, da esquerda à direita, pedem o rompimento, mesmo que isso resulte na saída da Grécia da zona do euro.

Chrysi Avgi (Aurora Dourada, neonazista) – 21 deputados

O partido neonazista está, desde sua fundação, em 1993, sob controle do matemático Nikolaos Michaloliakos. Apesar dos símbolos e referências, o partido não se assume  oficialmente nazista por “não ser alemão”.

Afirma se identificar com o autoritarismo conservador do ex-ditador Ioannis Metaxas (1936-1941). A legenda se coloca contra a União Europeia, os imigrantes e os homossexuais.

Sempre teve desempenhos discretos até a última eleição. Muitos de seus votos foram provenientes do partido de extrema-direita Laos (Concentração Popular Ortodoxa), pois muitos de seus antigos eleitores ficaram inconformados por sua adesão ao governo Papademos. Há suspeitas de que alguns de seus integrantes do partido estejam infiltrados na polícia e incitem a violência durante manifestações.

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