terça-feira, 22 de julho de 2014

Como Israel se armou

A cobertura da imprensa estadunidense dos ataques israelenses à Autoridade Nacional Palestina (ANP) e às cidades palestinas na Cisjordânia, normalmente tratam o governo dos EE.UU. já seja como observador não comprometido, inocente ou mediador honesto no conflito, sem dar uma perspectiva (ponto de vista) no sentido da importância do papel dos EE.UU. como abastecedor de armamento, ajuda e tecnologia militar à Israel. Em seu papel de principal abastecedor de armamento à este país, os EE.UU. poderia obter uma potencial e significativa influência sobre o comportamento de Israel no conflito, se assim o quisesse.




Ajuda militar e econômica

Desde 1976, Israel foi o principal receptor da ajuda exterior estadunidense. De acordo com o relatório do Serviço de Investigação do Congresso dos EE.UU., de Novembro de 2001, a ajuda estadunidense à Israel no passado meio século chegou a um gigantesco 81,3 mil milhões de dólares.

Em anos recentes, Israel continua sendo o principal receptor da assistência militar e econômica de seu aliado. O dado freqüentemente mais citado é de 3 mil milhões de dólares ao ano, dos quais 1,8 mil milhões anuais são doações de fundos de dentro do Financiamento Militar Externo (FME) do Departamento de Defesa, e mil e 200 milhões anuais do Fundos de Apoio Econômico do Departamento de Estado. No anterior decênio (década), as concessões FME somam 18,2 mil milhões de dólares. Na realidade, 17 por cento de toda a ajuda exterior estadunidense se destina à Israel.



Venda e doações de armamento

Israel é um dos mais importantes importadores de armas procedentes dos EE.UU.. Na década passada, este houve vendido à Israel 7,2 mil milhões de dólares em armamento e equipamento militar, 762 milhões através de Direct Comercial Sales (Vendas Comerciais Diretas, VCD), mais de 6,5 mil milhões mediante o programa de FME. Desta forma, Israel possui a frota de aviões F-16 maior do mundo fora dos EE.UU., tendo mais de 200 jatos, mais outros 102 F-16 da empresa Lockheed Martín.

Os EE.UU. também houve apoiado a indústria armamentista israelense ao dar-lhe:

— 1,3 mil milhões para desenvolver navios Lavi, 625 milhões para desenvolver e dispor de mísseis anti-mísseis Arrow (o projeto continua seu curso);

— 200 milhões para desenvolver tanques Mercava (operativos); a mais recente versão, o Mercava 4, usa um motor diesel V-12 de origem alemã produzida sob licença nos EE.UU. pela empresa General Dynamics;

— 130 milhões para desenvolver um sistema anti-mísseis laser de alta energia.

Se bem que a totalidade da ajuda à Israel está destinada a diminuir nos próximos cinco anos, a assistência (ajuda) militar aumentará significativamente. Um dos últimos atos de Bill Clinton foi assinar um acordo com Israel até 2008. Ao mesmo tempo, paralelamente, os fundos do FME à Israel aumentarão em 60 milhões a cada ano, de tal modo que em 2008 alcançarão 2,4 mil milhões de dólares.




Armas grátis

Os EE.UU. também presenteia armamento e munições como parte do programa Excesso em Artigos de Defesa (EAD), dando estes sem custo algum. Entre 1994 e 2001, os EE.UU. proveu (proporcionou; concedeu) a maior parte de armas à Israel mediante este programa, incluindo 64.744 rifles N-16A1, 2.469 lança-granadas M-204, 1.500 pistolas calibre .50 M-2, munições calibre .30, .50 e 20mm.



Armamento estadunidense no arsenal israelense; lista seletiva.

Quantidade de armamento e custos de manufatura por unidade:

Aviões de combate: F-4E Phantom 50 Boeing, 18.4 milhões de dólares; F-15 Eagle 98 Boeing, 38 milhões; F-16 Falcon 237 Lockheed Martín, 34.3 milhões.

Helicópteros: AH-64 Apache 42 Boeing, 14.5 milhões; Cobra Attack 57 Bell Textron, 10.7 milhões; CH-53D 38 Sikorsky e Blackhawk 25 Sikorsky, 11 milhões.

Mísseis: AGM 65 Maverik Raytheon, 17 mil a 110 mil; AGM 114 Hellfire Boeing, 40 mil; Tow Hughes, 180 mil; AIM 7 Sparrow Raytheon, 125 mil; AIM 9 Sidewinder Raytheon, 84 mil; AIM 120 B Amraam Raytheon, 386 mil; Patriot Raytheon, Lockheed Martín e Harpoon Anti-Ship Missile Boeing, 720 mil.

A escala dos ataques do exército israelense contra cidades palestinas e campos de refugiados na Cisjordânia houveram sido  “desproporcionados”, de acordo com um relatório recente da Anistia Internacional. A organização estima que nas seis semanas, que foram do primeiro de Março à meados de Abril, mais de 600 palestinos foram assassinados e mais de 3 mil houveram sido feridos por soldados israelenses.

O uso de armamento estadunidense no conflito entre Israel e os palestinos parece ser uma violação flagrante (clara; evidente) da Ata sobre Controle de Exportação de Armamento, que proíbe o uso de armas estadunidenses para fins não defensivos.

Os relatórios do escritório sobre Direitos Humanos do Departamento de Estado 2001, publicado em Março de 2002, afirmavam que o exército israelense  “empregou excessivamente o uso da força”  contra os palestinos e destaca que se recorreu ao uso da força inclusive em momentos quando não existia perigo iminente (evidente). O relatório do Departamento de Estado também menciona que os militares israelenses  “dispararam fogo de morteiro contra as instituições da ANP e áreas civis em resposta à ataques individuais palestinos contra civis israelenses ou colonos”.

 Estes comentários demonstram que os EE.UU. sabem que as armas não estão sendo usadas para propósitos de  “legítima defesa”, tal como o estipula a Ata.

O Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, expressou recentemente suas objeções (argumentos; réplicas), assim como preocupação pelo uso de armamento estadunidense por parte do exército israelense, ao afirmar:  “me sinto obrigado a chamar sua atenção para com condutas preocupantes no tratamento à civis e trabalhadores de agências de ajuda humanitária por parte do exército israelense”. A julgar pelos meios e métodos empregados (bombardeiros F-16, helicópteros e canhoneiras [se dizem das embarcações armadas com algum canhão] navais, mísseis e bombas de grande tonelagem), o combate chegou a parecer uma guerra tradicional.

No processo, centenas de inocentes civis não combatentes (homens, mulheres e crianças) houveram sido feridos ou assassinados e muitas construções, edifícios e lares, danificados ou destruídos. Se houveram disposto (posto; organizado) tanques em campos de refugiados densamente povoados e em povoados e cidades e explosivos pesados houveram sido soltos a poucos metros, de cima, nos tetos de escolas onde milhares de crianças assistiam aulas.

(*) William D. Hartung e Frida Berrigan são pesquisadores do projeto Arms Trade Resource Center, do World Policy Institute da New School University (EE.UU.).
 fonte: http://www.nuevorden.net/portugues/n_1.htm

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